Sexta-Feira Santa

Jesus Cristo na Cruz

O Ofício solene de hoje é celebrado na basílica chamada Santa Cruz em Jerusalém. Representa esta basílica a cidade de Jerusalém, e, conservando-se nela uma das principais relíquias do santo Lenho, mais particularmente relembra o lugar em que Jesus foi crucificado. O imperador Constantino transformou o palácio de Santa Helena em igreja, agradecendo a vitória que alcançara sobre seu adversário, “no sinal do Cristo”, em 312.

Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor é o nome deste dia.

Nele a Igreja não celebra o Santo Sacrifício da Missa. Em sinal de luto e para realçar mais a morte de Nosso Senhor na Cruz, ela congrega os fiéis em redor do Sumo Sacerdote que se oferece como Vítima pelos pecados do mundo. É dia de luto universal, em que os nossos corações compassivos se convertem ao seu Deus e Salvador, e deste modo com Ele se preparam para a Ressurreição. O Ofício divino se divide em quatro partes: 1.ª as Leituras, 2.ª as Orações solenes; 3.ª a Adoração da Cruz e 4.ª a Comunhão.

 

1. AS LEITURAS

I Leitura: Oséas 6, 1-6.

II Leitura: Ex. 12, 1-11

III Leitura: Paixão (S. João 18, 1-40; 19, 1-42)

 

2. AS ORAÇÕES SOLENES

Terminado o canto da Paixão, estende-se uma toalha sobre o altar, colocando o livro no meio. O Celebrante veste o pluvial preto e sobe ao altar, onde inicia as Orações solenes.

[…]

 

3. ADORAÇÃO DA CRUZ

O decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, de que já falamos, modificou um pouco esta parte. O Celebrante depõe os paramentos pretos. A Cruz é trazida processionalmente da Sacristia (onde houver Diácono, por este: onde não houver, pelo Celebrante), precedida de dois acólitos,  e ladeados de outros dois com candelabros acesos. É levada ao lado da Epístola, para ser descoberta.

Esta solenidade com que a santa Igreja reveste as cerimonias mostra a sua solicitude e seu amor para com o Mistério de nossa Redenção.

Em três atos sucessivos o Celebrante sobe de cada vez, mais um degrau e aproxima-se mais do altar, de cada vez descobrindo mais uma parte da Cruz, e cantando em tom mais alto a seguinte antífona: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo.” O coro responde: “Vinde, adoremos”.

Em seguida, a Cruz é entregue a dois acólitos que a sustentam pelos braços, erecta, repousando o pé no supedáneo do altar. Dois acólitos ajoelham no degrau superior, aos lados, com candelabros acesos. E procede-se à adoração pelo Clero. Terminada esta, a Cruz é levada para a entrada do coro para a adoração pelo povo.

Enquanto todos adoram, os cantores eo coro alternadamente cantam os Impropérios, queixas de Jesus ao seu povo infiel. Elas se dirigem também a nós e nos concitam a uma sincera e humilde conversão.

Unimo-nos a Jesus Crucificado e com Ele rendemos o nosso culto de adoração ao Deus Santo, forte e imortal, e satisfazemos por nossos pecados. As respostas são em latim e em grego, as duas línguas principais, para significar que toda a humanidade se reúne ao pé da Cruz.

[…]

 

4. A COMUNHÃO

A quarta parte da Solene Ação Litúrgica da Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor sofreu grande alteração com o decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, que renovou toda a ordem da Semana Santa. Foram-lhe tirados todos os traços, que poderiam lembrar uma Missa e ficou apenas um rito de Comunhão.

Depois da adoração da Cruz, o Celebrante toma paramentos roxos. Se houver Diácono, este vai buscar o SSmo. Sacramento no altar onde fora depositado na véspera; caso contrário, vai o próprio Celebrante. Em ambos os casos, deve o portador do SSmo. ser acompanhado apenas por dois acólitos com candelabros acesos, e um clérigo com uma umbela.

Durante a vinda do SSmo. contam-se três antífonas.